Publicado por: viannamar | 05/10/2010

Ética nas Organizações

CULTURA ORGANIZACIONAL  – Aula 4 – 13.08.2010 – ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES

 

Definição de Ética: vem do grego Ethos, Significa o modo de ser, o caráter, comportamento. É o ramo da filosofia que busca e indicar o melhor modo de viver do cotidiano e da sociedade. Busca fundamentar o bom modo de vida pelo pensamento humano.

Ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.

Difere-se moral, pois este tem fundamento na obediência as normas, aos costumes, aos mandamentos culturais, hierárquicos ou religioso.

A ética parte do fato da existência da moral, isto é, toma como ponto de partida a diversidade de morais no tempo, com seus respectivos valores, princípios e normas. Como teoria, não se identifica com os princípios e normas de nenhuma moral em particular e tampouco pode adotar uma atitude indiferente ou eclética diante delas. Como as demais ciências, a ética se defronta com fatos. Que estes sejam humanos implica, por sua vez, em que sejam fatos de valor.

Mas nada disso altera minimamente a verdade de que a ética deva fornecer a compreensão racional de um espaço real, efetivo, do comportamento dos homens.

Ser Ético: nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranqüilo com a consciência pessoal. É, também, agir de acordo com os valores morais de uma determinada

sociedade. Essas regras morais são resultado da própria cultura de uma comunidade. Elas variam de acordo com o tempo e sua localização no mapa. A regra ética é uma questão de atitude, de escolha. Além de ser individual, qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais, que vem do mundo antigo e são válidas até hoje como ser honesto, ter coram de assumir decisões, ser tolerante e flexível, ser integro, ser humilde, etc…

Atuar eticamente vai muito além de não roubar ou não fraudar a empresa. A ética nos negócios inclui desde o respeito com que os clientes são tratados ao estilo de gestão do líder da equipe. O fato, porém, é que cada vez mais essa é uma qualidade fundamental para quem se preocupa em ter uma carreira longa, respeitada e sólida.

Histórico: A discussão sobre ética vem desde os tempos antigos. Para se ter uma idéia, na Grécia Antiga, utilizavam a palavra ética as investigações em questões referentes ao comportamento humano e a vida em sociedade.

Sócrates e os Sofistas (grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando discursos públicos), a filosofia volta-se para os seres humanos, entendidos como “medida de todas as coisas”.

A ética ocidental é vinda de Aristóteles que sugeriu a virtude como perfeição da condição humana, sendo a base de toda reflexão ética racional.

Portanto, o comportamento ético adequado está relacionado com o aperfeiçoamento intelectual do indivíduo, e as principais virtudes decorrentes deste desenvolvimento são: a justiça ( que inclui honestidade e retidão nos julgamento), prudência (que inclui, a paciência, a mansidão, a cautela), a coragem ( que inclui a ousadia, a disposição ou prontidão, a perseverança e a resistência e a moderação ( a virtude encontra-se no equilíbrio).

Na idade média trataram ética como um forte braço do cristianismo, onde se tem Santo Agostinho e São Thomas de Aquino.

Na Idade moderna as questões éticas se complicaram com o aparecimento da teoria da evolução e a tradição intelectual que se originou com ela.

No século XX, a grande preocupação com as relações interpessoais e o respeito pela alteridade. Este paradigma implicou em uma nova visão que gerou movimentos de contestação e busca dos direitos humanos como o feminismo, a lutas pelas minorias étnicas e religiosas, etc.. Não tolerando desigualdades de sexo, raça, destruição do meio ambiente, desrespeito aos direitos humanos, aos direitos dos cidadãos, etc…

A ética não deve ser confundida com a lei, embora com freqüência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum individuo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.

Erradamente profissionais tem em seus códigos o chamado “código de ética profissional” qual deveriam ser a “lei da profissão”.

Ética nas Organizações: na atualidade, para uma empresa conseguir credibilidade junto ao mercado, não basta aferir qualidade a seus produtos e serviços. Apesar de ser fator fundamental e principalmente por ser exigência do público consumidor, a conquista da credibilidade é maior do que isto.

A ética engloba aos outros produtos do portfólio da empresa. A sociedade atual vive na redescoberta da ética. Exigi-se de todas as instâncias da sociedade valores morais por todas as classes sociais, identificada por alguns como falta de decoro ou como falta de respeito.

O nosso objetivo é discutir a importância da ética dentro das organizações, de maneira a contribuir para a reflexão das práticas administrativas atuais. Podemos dizer que ética é fundamental para a sobrevivência das organizações.

Nestes tempos de globalização e reestruturação competitiva, as empresas que se preocupam com a ética e conseguem converter suas preocupações em práticas efetivas, mostram-se mais capazes de competir com sucesso e conseguem obter não apenas a satisfação e a motivação dos seus profissionais, mas também resultados compensadores em seus negócios.

Ética, enquanto filosofia e consciência moral, é essencial à vida em todos os seus aspectos, seja pessoal, familiar, social ou profissional. Assim, enquanto profissionais e pessoas, dependendo de como nos comportamos, por exemplo, em nossas relações de trabalho, podemos estar colocando seriamente em risco nossa reputação, nossa empresa e o sucesso em nossos negócios. A sobrevivência e evolução das empresas e de seus negócios, portanto, estão associadas cada vez mais a sua capacidade de adotar e aperfeiçoar condutas marcadas pela seriedade, humildade, justiça e pela preservação da integridade e dos direitos das pessoas.

As empresas se reformam e se transformam para sobreviver a essas mudanças e atender melhor seu consumidor. Assim, hoje, para um sucesso continuado, o desafio maior das empresas é ter uma ética interna que oriente suas decisões e permeie as relações entre as pessoas que delas participam e, ao mesmo tempo, um comportamento ético reconhecido pela comunidade.

Se a empresa, como espaço social, produz e reproduz esses valores, ela se torna importante em qualquer processo de mudança de perspectiva das pessoas; tanto das que nela convivem e participam quanto daquelas com as quais essas pessoas se relacionam. Assim, quanto mais empresas tenham preocupações éticas mais a sociedade na qual essas empresas estejam inseridas tenderão a melhorar no sentido de constituir um espaço agradável onde as pessoas vivam realizadas, seguras e felizes.

Podemos dizer que nas organizações as palavras chaves são: ética, responsabilidade, organização e administração.

Comportamento ético nas organizações: A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80, com a redução dos níveis hierárquicos e autonomia dadas as pessoas. Os chefes, verdadeiros xerifes até então, já não tinham tanto poder para controlar a atitude de todos, dizer o que era certo ou errado. A disputa por cargos cresceu e, com ela, o desejo de se sobressair a qualquer custo. Assim, nos últimos anos, as organizações viraram um campo fértil para a desonestidade, a omissão, a má conduta e a mentira. No dia-a-dia, os sete pecados capitais (luxúria, ira, inveja, gula, preguiça, soberba e avareza) servem como uma espécie de parâmetro para o bom ou mau comportamento em sociedade. No universo corporativo, a falta de ética poderia entrar nessa lista. A maioria das pessoas age com honestidade porque quer dormir com a consciência tranqüila – ou, então, porque tem medo das conseqüências, que podem resultar em atos ilegais

ou contrários à ética.

Organizações são formadas por pessoas e só existem por causa delas. Por trás de qualquer decisão, de qualquer erro ou imprudência estão seres de carne e osso. E são eles que vão viver as glórias ou o fracasso da organização. Por isso, quando se fala de empresa ética, lembra-se de pessoas éticas. Uma política interna mal definida por um funcionário de qualquer nível pode atingir dois dos maiores patrimônios de uma empresa: a marca e a imagem.

Alguns exemplos de condutas antiéticas:

  • A organização diz não ter preconceito, mas não possui nenhum trabalhador negro;
  • Suborno indireto: os compradores negociam corretamente, mas aceitam vantagens políticas e às vezes até sexuais de seus fornecedores;
  • comprador se envolve com o fornecedor e acaba favorecendo-o mesmo sem a intenção de fazê-lo;
  • Comprador para fornecedor: ou aceita o preço ou o concorrente recebe. Este procedimento acaba liquidando os pequenos;
  • A empresa ter informantes em Brasília (lobby);
  • A contratação de pessoal do concorrente para obter informações;
  • Subfaturar o produto: o concorrente A pesquisa o mercado e estima que o valor justo para um determinado produto é X, computando entre outros itens o seu custo, mão-de-obra e suas vantagens. No entanto, o concorrente B fatura o mesmo produto pela metade do preço e paga o restante por fora;
  • Dois concorrentes combinam abaixar o preço de um produto para liquidar um terceiro;
  • Violar o meio ambiente;
  • A empresa que opta por uma publicidade enganosa, abusiva ou escandalosa, uma vez que ela tem responsabilidade nesta escolha e não só a agência;
  • Vender sonho ao invés de produto: propaganda de um sabão que vende o sonho de uma viagem para a Europa, por exemplo, e não o produto.

 

Desenvolvendo uma perspectiva ética nas organizações: Ao contrário do que muitos pensam, a ética, apesar de ser uma disciplina filosófica, é uma disciplina prática e não teórica como o é a lógica. Quando se observa: – “Não basta a empresa fazer bem, ela precisa fazer o bem.” – fica clara a realidade objetiva da ética. Ocorre que na maioria das empresas quando as grandes decisões são tomadas a perspectiva ética nunca é utilizada. Os tomadores de decisões, tanto quanto aqueles que as executam, estão sempre preocupados em fazer bem feito. Isso envolve, necessariamente, os aspectos econômicos, financeiros, operacionais e legais, mas nada se questiona quanto à ética.

Na verdade, trazer à luz as dimensões morais da vida organizacional requer uma perspectiva nova que leve à reflexão ética. Se essa perspectiva vier a se impor, novas perguntas passarão a ser feitas dentro do processo decisório, no momento em que forem julgadas as alternativas possíveis, antes de se escolher um curso de ação. Perguntas do tipo: Estou sendo responsável para com os outros? Haverá algum dano ao meio ambiente? A comunidade será beneficiada? Quais as conseqüências para o pessoal a longo prazo? Só têm sentido se a administração adotar uma perspectiva ética que supere a visão imediatista corrente. O que se espera, dentro da perspectiva ética, é que as pessoas tenham uma postura ativa e não passiva. Existe uma diferença fundamental entre se comportar bem e agir bem. A organização tem uma responsabilidade grande na invenção do novo ser humano que a sociedade necessita para melhorar pois, a maioria das pessoas, no mundo industrializado, passa o seu tempo nas organizações.

Agregando valores através da ética nas organizações: Muitas organizações procuram, hoje, criar seu código de ética. Essa tendência, que à primeira vista pode se assemelhar a um modismo parece estar entranhando o tecido social e a comunidade empresarial de forma mais profunda que um passageiro entusiasmo dos profissionais de recursos humanos, relações públicas ou auditoria. Este código pode abranger vários parâmetros que poderão servir de instrumentos para nortear a conduta moral dos stakeholders, tais como: a) importância de um programa de ética; b) liderança ética; c) elaboração do código de ética; d) educação para a ética; e) comunicação ética; f) auditoria ética; g) ética na seleção, na avaliação e na recompensa.

As empresas têm motivos de sobra para atuarem de maneira ética interna externamente. Está provado que práticas cidadãs podem ser um diferencial competitivo. Se a empresa, como espaço social, produz e reproduz esses valores, ela se torna importante em qualquer processo de mudança de perspectiva das pessoas; tanto das que nela convivem e participam quanto daquelas com as quais essas pessoas se relacionam. Assim, quanto mais empresas tenham preocupações éticas mais a sociedade na qual essas empresas estejam inseridas tenderão a melhorar no sentido de constituir um espaço agradável onde as pessoas vivam realizadas, seguras e felizes.

Para sua reflexão: fique com o pensamento de um autor anônimo americano:

 “Vigie seus pensamentos, porque eles se tornarão palavras; Vigie suas palavras, porque elas se tornarão atos; Vigie seus atos, porque eles se tornarão seus hábitos; Vigie seus hábitos, porque eles se tornarão seu caráter; Vigie se caráter, porque ele será o seu destino”.

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